20º Dia de Oração – Desertificação, uma consequência da Emigração das Áreas Rurais!

15 04 2011

Quero começar este artigo, fazendo uma diferença entre os termos Imigração e Emigração. Imigração é o movimento de entrada, com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência, de pessoas ou populações, de um país para outro. Ex: um brasileiro que venha morar em Portugal. Já emigração é o ato e o fenômeno espontâneo de deixar seu local de residência para se estabelecer numa outra região ou nação em busca de trabalho ou residência. Ex: um português do interior que sai de Portugal para morar em Lisboa, ou em algum outro país.

Até há poucos anos atrás Portugal era um país essencialmente rural, poder-se-ia dizer que não haviam pessoas nascidas no “asfalto”, as pessoas nasciam na província e só depois debandavam para as grandes cidades do litoral. A relação com a ruralidade e com tudo o que tinha a ver com a terra era por demais evidente. Nos anos 60 e 70 não havia agregado familiar que migrasse para os arredores das grandes cidades que não arranjasse maneira de ter a sua horta e os seus animais domésticos, normalmente galinhas, coelhos, patos… nas hortas cultivava-se batatas, cebolas, couves, feijão verde, tomate, etc.

 Com o aumento da globalização e da modernidade; também, devido à falta de empregos, muitos portugueses precisaram emigrar para outros países ou até mesmo para Lisboa, em busca de trabalho e meio de vida melhores. E grande parte da população das aldeias e das regiões rurais de Portugal, principalmente do Norte, abandonaram seus locais de origem, para migrarem para o litoral ou para lugares com mais oportunidades de trabalho.

 Hoje já quase ninguém quer “perder tempo” a tratar da horta ou dos animais. O consumismo leva a que as pessoas comprem tudo nos hipermercados e há muitas crianças das cidades que nunca viram uma galinha ao vivo ou a rama de uma cenoura… Estes factores contribuem para um desenraizamento, para uma falta de identidade, para uma frustração e uma desmotivação das pessoas. Infelizmente, isto tem implicações negativas para muitas famílias: deixam de existir os laços fundamentais de coesão social, cultural e familiar.

Outro problema é a desertificação do interior, que perde sua população jovem, que sai em busca de novas oportunidades, deixando seus pais, já idosos, a cuidar dos campos. Ao chegar a idade, não podem mais trabalhar como antes, e consequentemente, os campos perdem a produtividade. E sem produtividade, vão ficando cada vez mais áridos, até se tornarem completamente desertos e inférteis. O interior do país sofre com tudo isto: os campos ficam ao abandono, as florestas (e os incêndios) entram pelas aldeias porque ninguém as detém (as hortas deram lugar a florestas desordenadas), muitas casas começam a ficar degradadas porque as pessoas que lá vivem envelheceram e não têm possibilidades de fazer a manutenção necessária, as populações envelhecem a ritmo acelerado e deixa de haver interacção entre gerações mais novas e mais velhas.

 Para entender mais sobre este assunto: assista os vídeos:

“a terra está de luto, e todo que mora nela desfalece…” Oséias 4: 3

A palavra “Desertificação” é a degradação do solo, cuja qualidade e quantidade é determinante para o desenvolvimento de plantas, colheitas, florestas, animais, bem como o estabelecimento das comunidades humanas, que é consequencia da emigração das populações rurais, para os centros urbanos ou para países desenvolvidos, que deixam a terra sem capacidade de produzir.

Portugal é um dos países da bacia do Mediterrâneo onde a desertificação é particularmente sentida, com cerca de 60% do seu território susceptível à desertificação e à seca. As características mediterrâneas do clima associado à geologia, são factores que contribuem para que no território português se encontrem zonas classificadas de semi-áridas e sub-húmidas secas.

As políticas de ordenamento do território desajustadas, como a campanha do trigo nos anos 30 ou a plantação de monoculturas de eucalipto durante os anos 80 do século passado, os incêndios florestais que grassam ao longo do Verão, o regime hídrico torrencial que caracteriza o clima mediterrânico, a ocupação urbana e industrial dos melhores solos agrícolas, são tudo factores que têm contribuído para a degradação e erosão do solo pobre e frágil que Portugal possui. Este é um fenómeno, que sendo complexo, urge ser travado. É a nossa subsistência que está em jogo, pois a diminuição da capacidade agrícola dos nossos solos, bem como o abandono dos meios rurais, terá como consequência a nossa futura dependência de terceiros para alimentarmos a nossa população.

 No Velho Testamento Deus através do profeta Oséias refere a reacção da criação perante aquilo que observa no relacionamento existente entre o povo de Israel (Os 4:1-3). O profeta Isaías, contemporâneo de Oséias, declara que “são os seus moradores” os responsáveis pela degradação da terra (Is. 24:5-6). Mais tarde, o profeta Jeremias lamenta-se perante o estado deplorável em que a terra se encontra (Jer. 12: 4). São alguns exemplos que encontramos nas Sagradas Escrituras que mostram o desagrado de Deus pela forma como é tratada a sua Criação, onde o Ser Humano é o expoente máximo.

Felizmente, a obra redentora de Cristo Jesus dá-nos esperança genuína sobre o nosso futuro e sobre o futuro da Criação (Jo. 3:16; Cl. 1:17-20; Rm. 8:19-22). Nesse sentido, enquanto adoradores do Criador temos de reflectir sobre a nossa relação uns com os outros e com a própria criação à luz da Bíblia. Isso implica avaliar o nosso estilo de vida e os sistemas sociais económicos onde estamos inseridos e procurar a vontade de Deus.

Neste sentido, creio que desertificação não se refere apenas a tudo o que foi exposto acima. Ao nosso lado, o nosso próximo poderá estar a ser perturbado pela “desertificação espiritual” sendo a nossa responsabilidade apresentar Aquele que afirmou “…aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede;…” (Jo.4: 14). Filipe Bally Jorge, Biólogo.

(Fontes: matéria de José Alex Gandum (Jornalista), textos da Jocum, vídeo site do pr. Denner)

Motivos de Oração:

  • Pela salvação dos portugueses que estão a envelhecer nas aldeias, muitas delas, sem nenhuma igreja evangélica.
  • Por envio de pastores missionários para estas regiões não-alcançadas de Portugal.
  • Pela preservação da biodiversidade, criação de Deus, presente em Portugal.
  • Pelas autoridades locais, nas decisões que tomam, relativas à ocupação do solo.
  • Pelas famílias que perdem tudo devido a catástrofes naturais, incêncios, etc, efeitos da desertificação.
  • Por uma maior consciência ambiental e cívica dos portugueses.
  • Por medidas do governo de re-população dos lugares abandonados.
Que Deus te abençoe! Daniele Marques.


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