Este início de ano está sendo um tempo muito produtivo para mim. Embora eu tenha ficado 20 dias de “férias” do Blog; tenho usado o meu tempo para cumprir algumas metas que tracei para 2011. Bem, mas agora voltei! Voltei a fazer o que eu amo fazer: escrever!
Já há algum tempo estou com este tema na cabeça e algumas frases no papel. Já parei várias vezes para escrever sobre esse assunto, mas sempre acabo indo para outro assunto e deixando esse de lado; mas hoje resolvi, finalmente, postar a respeito de “zoë”.
A Bíblia não usa somente este termo para referir-se à vida. Pelo menos três termos são usados para a palavra “vida”. Embora quando traduzidas, a palavra seja a mesma, elas não são sinônimas, mas distintas. No original grego, encontram-se assim classificadas:
- “Bios”: vida biológica e/ou vida diária. Tem a ver com a vida do corpo, vida exterior, que adoece, envelhece e morre. Essa palavra é usada na Bíblia mais como vida diária, curso da vida (Lc 8.14; 1 Tm 2.2).
- “Psyche”: vida psicológica; alma vivente. Tem a ver com a vida da alma, que é um conjunto de mente, vontade, emoções, coração, etc (1 Co 15.45a).
- 3. “Zoë”: vida espiritual. Tem a ver com a vida do Espírito. Espírito cheio de Vida (1 Co 15.45b). A palavra “zoë”, significa “a vida completa e absoluta, que pertence a Deus, vida real e genuína, vida activa e vigorosa, não só neste mundo, para aqueles que colocam a sua confiança em Cristo, mas depois da ressurreição ser consumada num corpo perfeito e por toda a eternidade”.
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10). Neste texto de João, Jesus explica o propósito da vinda Dele em contraste com o propósito da vinda de satanás. E usando a figura do ladrão, Jesus diz: roubo, morte e destruição fazem parte do propósito das trevas para o homem; mas o Meu Propósito, a Minha Missão é transmitir Vida; mas não uma vida qualquer; não apenas uma vida biológica, transitória; tampouco uma vida almática; mas vida “zoë”; ou seja a Minha Vida. E aqui ainda há uma redundância que talvez tenha sido proposital: Jesus disse … e a Minha Vida Abundante, com Abundância. Aleluia!
A árvore do conhecimento do bem e do mal era uma proposta de vida individual, baseada apenas na consciência e não na dependência de Deus. Comer deste fruto era dizer: eu sou a autoridade sobre meus pensamentos e atitudes, minha consciência é o único padrão de minhas escolhas, eu não dependo de ninguém, sou guiado apenas pela minha alma, pelo meu coração, pelos meus desejos e por aquilo que me é agradável. Comer deste fruto era desejar viver a vida da alma, desconectada da vida do Espírito.
A Árvore da vida (“zoë”) era uma proposta de vida coletiva, dependente, interligada e abundante. Comer do seu fruto significava viver a vida do Espírito, viver para sempre, estar para sempre ligado a Deus; dependente Dele, ser um com Ele; tendo Ele como padrão para as escolhas e decisões. Você lembra do que Jesus disse em Jo 15.1? “Eu sou a Videira Verdadeira, e meu Pai é o Agricultor” No versículo 4 diz: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”. No versículo 6 Jesus disse: “Se alguém não permanecer em mim será lançado fora”. E foi isso o que aconteceu com Adão.
Quando Adão pecou, ele foi expulso do jardim e afastado a árvore da vida. Por que? Foi lançado fora do jardim, porque escolheu viver a vida da alma, a vida individual e independente de Deus. Ao invés de viver e compartilhar da vida do Espírito, Adão preferiu viver a vida natural, almática e carnal.
Até que, na plenitude dos tempos, a Vida de Deus se manifestou! O verbo se fez carne e habitou entre nós! (Jo 1.4,14). E aos que crêem na Vida de Deus (Jesus), essa mesma Vida é implantada no seu espírito. Jesus veio colocar dele mesmo no homem, pois a vida está Nele e Ele é a Vida. Veja 1 Jo 5.11-13: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna”.
Embora Jesus tenha vindo trazer essa vida abundante e plena no Espírito; não são todos que gozam dela. Embora essa vida Divina esteja dentro de nós, ela não está operando em nós automaticamente. Por que? Porque precisamos aprender a viver por meio dela. Para isso, precisamos de duas coisas:
a) Perder a vida natural: Porque para que essa vida espiritual, “zoë”, seja liberada em nós, a vida natural, almática, “Psyche” precisa ser tratada, julgada. E esse tratamento começa com a morte do nosso eu. Se buscássemos menos algumas coisas e buscássemos mais morrer, mais rápido chegaríamos aos nossos alvos. Precisamos deixar de viver a “vida almática” (psiquê). Esta vida é uma vida independente, é a vida direcionada pelo que eu acho, pelas minhas emoções, coração (enganoso) e pensamentos. Há muitas pessoas talentosas que estão vivendo e desenvolvendo um ministério baseado na vida da alma. Capacidade humana não gera a vida de Deus. O que gera a vida de Deus (zoé) é o Espírito de Deus. Nosso esforço humano só atrapalha. ”O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é Espírito e vida”. Precisamos desejar aquilo que é nascido do Espírito. Eu quero aquilo que é nascido do Espírito, que é gerado pelo Espírito! Aleluia! E para isso, temos que aceitar o processo da cruz. Somente a cruz libera a ressurreição.
Somente a sujeição à morte, liberará a vida zoé de Deus em nós. A morte é o que libera a vida!!! Enquanto não entendermos isso, e não nos sujeitarmos a isso, nossa alma vai continuar no controle, impedindo o fluir da vida de Deus para nós e para a Igreja.
b) Aprender a andar no Espírito: Andar no Espírito faz parte da vida nova e abundante que Jesus conquistou para nós! Andar no Espírito é pensar nas coisas que são do alto, é falar a linguagem sobrenatural do Espírito (aleluia!); é importar-se com o que Deus se importa e com quem Ele se importa, é estar completamente mortificado na carne e alinhado com Deus! Andar no Espírito é não se ofender mais (morto não se ofende), é não reagir, não revidar (morto não reage, não revida); todavia, é não perder nenhuma oportunidade de derramar a vida de Deus sobre as pessoas! Se minha carne já não vive, o canal está livre para o fluir liberalmente da vida de Deus em nós e através de nós!
De um lado “já não vivo eu”, do outro, “Cristo vive em mim” (Gl 2.20). Não há como gozar da vida de Deus, sem perder a vida da alma. Jesus disse: “Pois, quem quiser salvar a sua vida por amor de mim perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mt 16.25). E ainda: “Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna, “zoé” (Gl 6.8)”. E: “Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz” (Rm 8.6). E ainda: “De maneira que “ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive (zoé) por causa da justiça” (Rm 8.10). Finalmente, Jesus Cristo une essas duas verdades. Ele disse: “O que ama a sua vida (psiquê), a perderá; e o que aborrece a sua vida (psiquê) neste mundo, para a vida eterna (zoé) a guardará” (Jo 12.25).
Então, não perca mais tempo, viva a Vida zoé que Jesus conquistou para você! Baruch Hashem! Daniele Marques.
Ouça a música e seja ministrado: