Na Contramão do Sistema!

27 01 2011

“Viu o Senhor que a maldade do homem havia se multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo o desígno do seu coração” (Gn 6.5). “A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência (…) todo ser humano havia corrompido o seu caminho na terra (…) a terra está cheia da violência dos homens” (Gn 11-13)

Dentre este comportamento generalizado, vemos um relato interessante:

“Noé era homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos; Noé andava com Deus” (Gn 6.8)

Noé foi um homem justo no meio de uma geração corrompida.
Foi alguém que andou na contramão do sistema, cuja obediência, salvou sua vida e sua família.
Sua obediência parecia loucura para sua geração.
Sua missão parecia loucura para sua geração. Construir uma arca, pra quê, se nunca tinha chovido?

Enquanto os corações se corrompiam e a maldade multiplicava, Noé achava graça aos olhos do Senhor. Essa palavra “graça” no original hebraico é “chen” e significa: “encurvar-se, abaixar-se”. Isso significa, que Noé mantinha uma vida prostrada diante de Deus. Noé andava com Deus. E andava com Deus em uma época em que todos andavam sem Deus!

Sabe qual a questão aqui?
Noé era a minoria. Já na sua época e também em nosso mundo, há um conceito de que as massas “sempre tem a razão”. Tem um ditado muito errado por aí que diz: “a voz do povo é a voz de Deus”. A história  e a Bíblia nos provam que esta frase é completamente equivocada. Talvez o objectivo desta frase nem tenha sido afirmar que o povo tem a voz de Deus; mas que a maioria sempre tem a razão. E isto é um erro! A história de Noé nos mostra, que somente ele e sua família foram preservados do juízo de Deus, por serem obedientes e justos.

“Se Deus não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios” (2Pe 2.5).

“Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água”( 1Pe 3.20)

Noé fazia parte da minoria que obedecia, que permanecia fiel ao Senhor, fiel ao chamado, fiel à visão e fiel à missão!

Noé fazia parte da minoria que não se contaminava com o sistema, que não entrava na fôrma do mundo (Rm 12.2).

Acho interessante pensar nas coisas que Noé precisou renunciar, para permanecer obediente à visão celestial; às críticas que ele precisou desconsiderar, os deboches e afrontas que ele precisou sofrer! E ainda assim, não contaminou sua pregação. O texto que citei, afirma que ele era “pregador da justiça” (2 Pe 2.5).

Noé era um diferente no meio de tanta igualdade. Era uma aberração, no meio de tanta uniformidade.

Sua fé parecia, no mínimo, sem sentido ou sem inteligência e no máximo, uma tolice. Construir uma arca em um lugar que nunca havia chovido, parecia mesmo estranho…

Mas o autor de Hebreus, diz:  “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, sendo temente a Deus, preparou uma arca para o salvamento da sua família; e por esta fé condenou o mundo, e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hb 11.7).

Sua fé o levou a condenar o mundo: a determinar não fazer parte do sistema operante no mundo; nem compactuar com o pensamento da maioria.

Acho muito importante dizer que quando Jesus estava a falar sobre os últimos dias, Ele citou Noé e o sistema operante em sua época. Jesus afirmou, que os dias próximos à Sua vinda, seriam como os dias de Noé, onde as pessoas seriam influenciadas de tal modo por este sistema: “comer, beber, casar e dar-se em casamento”, que seriam pegas de surpresa no juízo (Mt 24.36-39).

 

São estes os nossos dias?
Nosso mundo gira em torno do mesmo sistema: “comer, beber, casar e dar-se em casamento”.

E este sistema está tão entranhado na forma de viver do homem (da maioria), que formou uma base em sua mente, o que chamo de estruturas de pensamento, pois alterou a sua forma de pensar, roubando-lhe o discernimento, desviando-lhe do seu propósito original e colocando-o na mesma posição que a maioria da época de Noé: alvos do juízo Divino.

Nossa época é fortemente influenciada por um sistema de duas faces (veja se o reconhece):

  1. HUMANISMO (“Comer e beber”): estrutura de pensamento onde o ser humano é a coisa mais importante que existe. Se fosse só isso, não seria tão ruim, o mundo seria até melhor, pois o discurso humanista tende a valorizar a dignidade humana, o uso de suas capacidades, potenciais, aspirações, racionalizações. Seria bom ver os homens se valorizando mutuamente. O problema do humanismo, é que o homem é o centro do universo e não Deus. E a consequência deste tipo de pensamento é a negação e/ou à indiferença ao sobrenatural e consequentemente, a Deus. De uma forma bem prática, a mentalidade humanista induz o homem a pensar apenas no suprimento de suas necessidades (comida e bebida), na exploração de suas habilidades ao máximo; afinal, ele precisa ter, precisa saber, precisa ser alguém na vida!
    O resultado do humanismo são reuniões feitas para entreter os homens, músicas para agradar pessoas, discursos para retirar aplausos. 

    No nosso mundo humanista, tem gente cobrando cachê até para dar o que recebeu “de graça”. É nosso dever sermos justos e honrar as pessoas, mas é uma vergonha uma pessoa cobrar pra fazer o que é sua obrigação! Desculpem o desabafo, mas estou extremamente cansada com tantas campanhas de segunda a sexta, para conseguir casa própria, carros do ano, empresas, etc. Não que seja errado querer estas coisas; não que Deus não nos queira dar tudo isso. Mas essas coisas não são um fim, em si mesmas.

    O mundo não gira em torno do meu umbigo!
    Este mundo tem um Dono, e tudo deve girar em torno Dele: “Porque nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1.16).

  2. HEDONISMO (“casar e dar-se em casamento”): estrutura de pensamento, onde o prazer é o único fim, o único objectivo da vida. Essa mentalidade tende a repelir toda idéia de que o sofrimento deve fazer parte da vida. Essa forma de pensar ensina:
    a) Devo fugir de tudo o que causa sofrimento.
    b) Se algo não me causa prazer, logo, não é bom. 

    Já ouvi algumas pessoas dizendo que, se no céu não tiver sexo, então não querem ir pra lá. Esse tipo de pensamento faz parte da mentalidade que foi formada nas pessoas da geração em que vivemos. É o pensamento das massas, da maioria.

    Há inclusive, algumas “instituições” promovendo o “slogan”: PARE DE SOFRER! E alguns dizem: “se você está sofrendo, é porque está debaixo de uma maldição”. É inadimissível, no pensamento hedonista, admitir, que o sofrimento seja algo bom, importante e proveitoso. O que vamos fazer então, com os textos de Rm 8.18; Fp 2.5-8; 2 Co 4.8-18; Tg 1.2-8; 2 Pe 4.1-5 e tantos outros textos semelhantes, que ensinam uma vida de renúncia e cruz?

Vivemos em um tempo, onde nos distanciamos quilômetros do propósito original de Deus para nós! Este é um mundo de inversão de valores, onde fazer o que é certo, é careta. Li uma frase esta semana, que diz: “Quando todo mundo é corcunda, o porte ereto torna-se a monstruosidade”. (Honoré de Balzac).

Soa estranho hoje, uma mulher ser virgem aos 20 anos. E um homem virgem nesta idade? –Ah, ele não deve gostar de mulher (alguns afirmariam). Outros diriam, que é absolutamente um absurdo, não provar, antes do casamento, se o sexo do outro é bom (como se casamento fosse só sexo ou como se a intimidade fosse aperitivo de supermercado: -Não gostei, não vou levar! Ou: – Gostei, vou levar pra casa!).

Amados, é hora de revermos nossos valores, como Igreja do Senhor! É hora de pesarmos nossas motivações. Hora de avaliarmos o quão longe estamos do modelo que Jesus estipulou para nós e ordenou que seguíssemos. Não importa o quanto o mundo mude! Não podemos negociar princípios em nome do progresso e da modernidade! Há coisas que sinceramente, precisamos e DEVEMOS mudar, mas existem valores inegociáveis!

Se o mundo dorme em trevas, a igreja não pode “dormir na luz”!

Não seja transformado pelo sistema, instrumento de transformação!
Deus precisa de você!

Onde estão os Nóeis desta geração? Esta é a nossa hora!

Onde estão os que andam na contramão do sistema?
Deus procura por você!

O mundo aguarda a sua manifestação! Onde você está escondido? Não é hora de permanecermos nas cavernas, nem de misturarmos os nossos rostos, com os rostos da maioria, perdidos entre a multidão.

A criação aguarda a sua manifestação!

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.  Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.19-23).

O dia da vinda de Jesus se aproxima! Até lá, ande somente na contramão! Baruch Hashem! Daniele Marques.

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Eu vim para que tenham “zoë”!

19 01 2011

Este início de ano está sendo um tempo muito produtivo para mim. Embora eu tenha ficado 20 dias de “férias” do Blog; tenho usado o meu tempo para cumprir algumas metas que tracei para 2011. Bem, mas agora voltei! Voltei a fazer o que eu amo fazer: escrever!

Já há algum tempo estou com este tema na cabeça e algumas frases no papel. Já parei várias vezes para escrever sobre esse assunto, mas sempre acabo indo para outro assunto e deixando esse de lado; mas hoje resolvi, finalmente, postar a respeito de “zoë.

O que é “zoë? É uma palavra grega, que traduzida, quer dizer: vida. Ela é encontrada, neste texto de João 10.10: “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

A Bíblia não usa somente este termo para referir-se à vida. Pelo menos três termos são usados para a palavra “vida”. Embora quando traduzidas, a palavra seja a mesma, elas não são sinônimas, mas distintas. No original grego, encontram-se assim classificadas:

  1. “Bios”: vida biológica e/ou vida diária. Tem a ver com a vida do corpo, vida exterior, que adoece, envelhece e morre. Essa palavra é usada na Bíblia mais como vida diária, curso da vida (Lc 8.14; 1 Tm 2.2).
  2. “Psyche”: vida psicológica; alma vivente. Tem a ver com a vida da alma, que é um conjunto de mente, vontade, emoções, coração, etc (1 Co 15.45a).
  3. 3. “Zoë”: vida espiritual. Tem a ver com a vida do Espírito. Espírito cheio de Vida (1 Co 15.45b). A palavra “zoë, significa “a vida completa e absoluta, que pertence a Deus, vida real e genuína, vida activa e vigorosa, não só neste mundo, para aqueles que colocam a sua confiança em Cristo, mas depois da ressurreição ser consumada num corpo perfeito e por toda a eternidade”.

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10). Neste texto de João, Jesus explica o propósito da vinda Dele em contraste com o propósito da vinda de satanás. E usando a figura do ladrão, Jesus diz: roubo, morte e destruição fazem parte do propósito das trevas para o homem; mas o Meu Propósito, a Minha Missão é transmitir Vida; mas não uma vida qualquer; não apenas uma vida biológica, transitória; tampouco uma vida almática; mas vida zoë; ou seja a Minha Vida. E aqui ainda há uma redundância que talvez tenha sido proposital: Jesus disse … e a Minha Vida Abundante, com Abundância. Aleluia!

Não fomos criados já com esta vida, assim como Adão também não foi. Adão foi feito “alma vivente” (“Psyche”), embora tenha sido desenhado para participar da vida zoë, assim como nós. Essa classe de vida estava disponível para Adão, na figura da Árvore da Vida (árvore zoë) , assim como Jesus (Nossa zoë) está disponível para nós hoje.

A árvore do conhecimento do bem  e do mal era uma proposta de vida individual, baseada apenas na consciência e não na dependência de Deus. Comer deste fruto era dizer: eu sou a autoridade sobre meus pensamentos e atitudes, minha consciência é o único padrão de minhas escolhas, eu não dependo de ninguém, sou guiado apenas pela minha alma, pelo meu coração, pelos meus desejos e por aquilo que me é agradável. Comer deste fruto era desejar viver a vida da alma, desconectada da vida do Espírito.

A Árvore da vida (zoë) era uma proposta de vida coletiva, dependente, interligada e abundante. Comer do seu fruto significava viver a vida do Espírito, viver para sempre, estar para sempre ligado a Deus; dependente Dele, ser um com Ele; tendo Ele como padrão para as escolhas e decisões. Você lembra do que Jesus disse em Jo 15.1? “Eu sou a Videira Verdadeira, e meu Pai é o Agricultor” No versículo 4 diz: “permanecei em mim, e eu permanecerei em vós”. No versículo 6 Jesus disse: “Se alguém não permanecer em mim será lançado fora”. E foi isso o que aconteceu com Adão.

Quando Adão pecou, ele foi expulso do jardim e afastado a árvore da vida. Por que? Foi lançado fora do jardim, porque escolheu viver a vida da alma, a vida individual e independente de Deus. Ao invés de viver e compartilhar da vida do Espírito, Adão preferiu viver a vida natural, almática e carnal.

Até que, na plenitude dos tempos, a Vida de Deus se manifestou! O verbo se fez carne e habitou entre nós! (Jo 1.4,14). E aos que crêem na Vida de Deus (Jesus), essa mesma Vida é implantada no seu espírito. Jesus veio colocar dele mesmo no homem, pois a vida está Nele e Ele é a Vida. Veja 1 Jo 5.11-13: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna”.

 

Embora Jesus tenha vindo trazer essa vida abundante e plena no Espírito; não são todos que gozam dela. Embora essa vida Divina esteja dentro de nós, ela não está operando em nós automaticamente. Por que? Porque precisamos aprender a viver por meio dela. Para isso, precisamos de duas coisas:

a)       Perder a vida natural: Porque para que essa vida espiritual, zoë, seja liberada em nós, a vida natural, almática, “Psyche” precisa ser tratada, julgada. E esse tratamento começa com a morte do nosso eu. Se buscássemos menos algumas coisas e buscássemos mais morrer, mais rápido chegaríamos aos nossos alvos. Precisamos deixar de viver a “vida almática” (psiquê). Esta vida é uma vida independente, é a vida direcionada pelo que eu acho, pelas minhas emoções, coração (enganoso) e pensamentos. Há muitas pessoas talentosas que estão vivendo e desenvolvendo um ministério baseado na vida da alma. Capacidade humana não gera a vida de Deus. O que gera a vida de Deus (zoé) é o Espírito de Deus. Nosso esforço humano só atrapalha. ”O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é Espírito e vida”. Precisamos desejar aquilo que é nascido do Espírito. Eu quero aquilo que é nascido do Espírito, que é gerado pelo Espírito! Aleluia! E para isso, temos que aceitar o processo da cruz. Somente a cruz libera a ressurreição.

Somente a sujeição à morte, liberará a vida zoé de Deus em nós. A morte é o que libera a vida!!! Enquanto não entendermos isso, e não nos sujeitarmos a isso, nossa alma vai continuar no controle, impedindo o fluir da vida de Deus para nós e para a Igreja.

b) Aprender a andar no Espírito: Andar no Espírito faz parte da vida nova e abundante que Jesus conquistou para nós! Andar no Espírito é pensar nas coisas que são do alto, é falar a linguagem sobrenatural do Espírito (aleluia!); é importar-se com o que Deus se importa e com quem Ele se importa, é estar completamente mortificado na carne e alinhado com Deus! Andar no Espírito é não se ofender mais (morto não se ofende), é não reagir, não revidar (morto não reage, não revida); todavia, é não perder nenhuma oportunidade de derramar a vida de Deus sobre as pessoas! Se minha carne já não vive, o canal está livre para o fluir liberalmente da vida de Deus em nós e através de nós!

De um lado “já não vivo eu”, do outro, “Cristo vive em mim” (Gl 2.20). Não há como gozar da vida de Deus, sem perder a vida da alma. Jesus disse: “Pois, quem quiser salvar a sua vida por amor de mim perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mt 16.25). E ainda: “Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna, “zoé” (Gl 6.8)”.  E: “Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz” (Rm 8.6). E ainda: “De maneira que “ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive (zoé) por causa da justiça” (Rm 8.10). Finalmente, Jesus Cristo une essas duas verdades. Ele disse: “O que ama a sua vida (psiquê), a perderá; e o que aborrece a sua vida (psiquê) neste mundo, para a vida eterna (zoé) a guardará” (Jo 12.25).

Então, não perca mais tempo, viva a Vida zoé que Jesus conquistou para você! Baruch Hashem! Daniele Marques.

Ouça a música e seja ministrado: